Do perfume das flores...

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Do perfume das flores...

Postby VITRIOL (Otto) » Fri May 01, 2009 10:44 pm

Do perfume das flores...

Me vi um dia, em estradas estranhas,
Trilhadas por andarilhos, Reis e mendigos,
Não me deram um mapa, nem bússola, nem abrigos,
Apenas o amor de causas esquecidas.

Então descobri que em tais causas, as esquecidas...
De tempos recuados... as vias,
Reencontrara eu os abrigos... a bússola e o mapa...
E me vi diante de ti, meu Rei.

E renasci em nobreza, e recuperei minha dignidade e meu manto,
E reconheci antigos pensamentos a despertar em recentes dias,
Poderes de uma época em que os sonhos andavam sobre a terra...
Mas diante daqueles, parei minha jornada, e perguntei:

Se a flor tem seu perfume, qual o perfume do sangue?
O prâna, responderam-me, a energia da vida!
Então, se o sangue tem seu perfume, qual o perfume do prâna?
Toda emoção e todo pensamento sob as estrelas, responderam-me, o Astral!

Que em regiões tais à mansão dos imortais exumamos, drenamos,
Das memórias daqueles mesmos túmulos... esquecidos... perdidos,
De quando o mundo era jovem, e o ser humano um projeto...
E os Vampiros uma esperança sobre a terra...

Para tentar entender o vampirismo sanguíneo e prânico, talvez seja interessante entender outras formas de vampirismo que não estas, até para nos fornecer parâmetros externos que nos facilitem ver com olhos de estranhamento as formas tradicionais de vampirismo.

Afinal o que é vampirismo?
Alimentação?
O que é alimentação? É antes de tudo uma forma de repor elementos essenciais à vida e que utilizamos para viver. Mas só de sangue e prâna se compõe o “vinho” dos vampiros?

Quem não ouviu uma música ou viu um filme e se sentiu “alimentado” após a experiência? Podemos dizer que há filmes que nos alimentam? Sim, assim como há aqueles que nos fazem mal, nos intoxicam. Experiência similar possuem os vampiros energéticos ao absorverem certos tipos de energia vital. Mas em que quero chegar?

Quando da expansão política e econômica da cultura Ocidental pelo mundo, cujo motor fora as revoluções industriais que desencadearam a sociedade global tal como a conhecemos hoje, entraram os orientalistas ingleses em seus estudos sobre a cultura Hindu, em contato com uma interessante teoria, a dos Avataras.
Avatara em sânscrito significa “descenso”, no sentindo daquele que “desce”, uma Lei oculta que vem ao mundo. Assim toda vez que um Deus se encarna, ele o faria enquanto “avatara”. Hoje por apropriação cultural, usamos a palavra para indicar uma manifestação de nosso alter ego, de nosso eu idealizado, por exemplo na internet. Na tradição Hindu há, por exemplo, os avataras de Vishnu (ex: Krisna, Budha, etc). Mas não são os únicos, havendo tantas categorias de avataras quanto o há de desejos, ideais e intenções humanas. Há avataras da guerra, da paz, do amor, da sabedoria, da música, etc. Todo avatara vem ao mundo através do carma da ação/pensamento/emoção da humanidade, isto é, pelos pensamentos humanos que lhes permitiram vir ao mundo. Foram convidados a existir, por assim dizer.

De acordo com a Teosofia, tais criaturas se alimentam do pensamento humano, das emoções humanas. Tais pensamentos são o carma que lhes permite atuar no mundo na proporção direta do que lhes chamou à vida encarnada. Assim, emoções, pensamentos, músicas, livros, filmes, etc que põem a mente e as emoções humanas em ação criando egrégoras no Astral (egrégora aqui no sentido de nuvens de pensamentos e emoções que surgem nestes planos quando o ser humano pensa e se emociona) atuariam no sentido de “alimentar” estes seres, e da quantidade e qualidade destas criações humanas no plano Astral dependeria a qualidade e o poder de tais seres que delas se revestem a construir e constituir um corpo psíquico para si. Tal tradição admite ainda grandes e pequenos avataras, de tal sorte que cada asceta, santo, religioso, mago, etc, guardadas as devidas proporções, pode ser um pequeno avatara.

Em minha concepção de vampirismo, certa ou errada, o vampiro não se alinha a nenhuma religião ou anti-religião, bem ou mal, mas a todas as tradições, de todas sorvendo algo, pois seu mito pode ser encontrado nas mais diversas culturas do mundo, entre seus Deuses do Bem e Deuses do Mal, amigos e inimigos, logo, não é um fenômeno associado a uma única tradição ou modelo artístico, místico ou religioso.

Uma idéia sutil pode nos ocorrer...então. De que se alimentaria um avatara vampírico? De toda arte, de toda ciência, de toda ética, e de toda tradição que o pensamento humano um dia imprimiu nas memórias da luz astral, diria eu, especialmente as ligadas ao arquétipo do vampiro.

Mas o que tudo isto tem haver com o vampirismo de sangue e o vampirismo energético praticado pelos modernos vampyros?

Em parapsicologia existe um fenômeno conhecido por “psicometria”, que é a capacidade que sensitivos têm em ao tocar um objeto entrar em relação com quem os tocou no passado, ou entrar em relação ao local onde estiveram assim como com as ações, emoções e pensamentos a que esteve exposto.

Ora, pode haver material mais carregado destas vibrações e impressões que o sangue e/ou o prâna dos doadores? O vampiro, seja sanguíneo, seja energético, se coloca em íntima relação com as emoções, os pensamentos e as memórias daqueles que doaram sua energia/sangue a eles. Nada mais natural, portanto, à luz da teoria dos avataras, que quer sejam estes vampiros avataras ou não, estes venham a dar preferência aos doadores que no mínimo tenham uma simpatia pelo vampirismo ou mesmo uma vibração vampírica simpática? Penso que sim. Não que haja obrigatoriedade nisto, mas não há como negar que tal energia assim carregada de memórias tenha um “efeito” especial sobre o vampiro(a).
A tradição de que vampiros devem ser convidados (logo, gozar da simpatia de quem os convida) teria uma relação remota com isto?

De fato, o vampirismo ético que a moderna subcultura vampyrica aceita e pratica, qual seja, o de drenar apenas doadores saudáveis e sem lhes causar nenhum dano ou prejuízo físico ou psicológico (os vampiros energéticos nunca enfraquecem seus doadores, e os vampiros de sangue literalmente absorvem apenas algumas poucas gotas de sangue extraídas de locais seguros) e, somente de maiores de idade que de livre e espontânea vontade doem sua vitalidade pode, pensamos, ser interpretado como um convite de quem doa por este ato de simpatia para com a condição vampírica. Gostar, se identificar, ter uma “vibração”, um “aspecto”, um “algo” vampírico, ou simpatizar-se com a condição vampírica torna a pessoa um potencial doador de alta qualidade, podendo mesmo ser um vampiro(a) inconsciente que poderá vir a despertar pelo convívio com outro vampiro(a), o que o torna mais ainda um doador preferencial aos olhos de vampiro(a)s já despertos.

Se tudo isto fizer sentido, percebe-se que o vampirismo é bem mais que “alimentação” quantitativa. Gosto de pensar no vampiro como um “vaso de eleição” de pensamentos coletivos, desejos, vontades, emoções, ou o avatara de um modelo de imortalidade, sabedoria e amor, um requintado “jardineiro” e alquimista, a recolher e compor um raro “perfume” com as memórias da atividade humana...contido no sangue, no prâna e no Plano Astral, no reino dos sonhos lúcidos.

E então descobri, a meio caminho da jornada, em regiões Astrais...
O sangue e o prâna do mundo, qual correntezas e rios a correr pelo planeta,
de memórias e emoções flutuantes, errantes, que atravessam continentes,
das quais tocamos e sorvemos, o amor e a sabedoria dos antigos...os ecos.

Quando os Vampiros eram Deuses,
E drenavam sociedades inteiras,
A eles dedicadas, de livre vontade devotadas, em círios e altares,
Como o faz o exalar das flores... ao seu jardineiro...ainda hoje, em seus amores.

Vitriol
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